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sábado, 30 de julho de 2011

Meu canto

Estava no meu canto, levando minha vida;
minha vida me levando
para dentro do meu próprio canto.

Do canto da minha vida
outros cantos eu vi;
outros que, em seus cantos
levavam as suas vidas
vidas que os levavam
para dentro de seus próprios cantos

E comecei a ver
as cercas dos seus cantos,
invisíveis,
mas que tolhiam o mover.

E comecei a sentir
as amarras no meu canto
opressivas,
que me impediam de ir.

Do canto da minha vida
outros cantos ouvi,
outros que, em seus cantos
sonhavam em se mover,
sonhavam com ir e vir.

Quero me soltar do meu canto
Quero soltar a voz no canto,
o canto da minha vida.
Quero a vida que vai me levando
para onde eu quero ir.

Quero o encontro dos cantos
para seguirmos levando a vida,
indo e vindo por todo canto,
simples encontro e devir.

Benjamin Barreto

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Manifiesto

Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz,
canto porque la guitarra
tiene sentido y razón.

Tiene corazón de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas.

Aquí se encajó mi canto
como dijera Violeta
guitarra trabajadora
con olor a primavera.

Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas,
que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morirá cantando
las verdades verdaderas,
no las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una lonja
hasta el fondo de la tierra.

Ahí donde llega todo
y donde todo comienza
canto que ha sido valiente
siempre será canción nueva.

Victor Jara